Kvothe, o herói desafortunado
Decidi escrever sobre o que ando lendo, já que é a única coisa que meu tempo ainda me permite. Não quis criar outro blog porque gosto do nome e da proposta desse aqui e gosto de ler blogs (inclusive, encontrei um recentemente que tenho gostado muito, em breve falarei sobre ele).
Então vamos começar com o pé direito, vamos começar com A Crônica do Matador de Rei, vamos começar com O Nome do Vento, a história épica de Kvothe, o herói desafortunado.
Faz um bom tempo que escuto sobre O Nome do Vento, primeiro livro da trilogia A Crônica do Matador de Rei, de Patrick Rothfuss. Mesmo sua primeira edição tendo sido lançada em 2009, ainda hoje aparece entre os primeiros lugares nas listas dos melhores livros de ficção fantástica. Confesso que no início da leitura não entendi muito bem o motivo disso, mas depois de ser absorvido pelo universo criado por Rophfuss, não vejo outro lugar para essa obra.
Kote é um simpático taberneiro em uma vila desconhecida, sua rotina consiste em lustrar copos e mobiliário e atender seus quatro ou cinco fiéis clientes. Porém, algo fora dessa rotina o tira de sua vida monótona e trás a tona um dos responsáveis pelo desenrolar do que veremos a seguir, o Cronista. É ele quem incita Kote a contar toda a sua história, onde antes Kote era Kvothe e esse não era nem um pouco parecido com o taberneiro simpático que vemos.
Kvothe é um Edena Ruh, isso quer dizer que ele faz parte de um grupo de artistas itinerantes. A trupe é chefiada por seus pais, ou seja, ele nasceu Edena Ruh e viveria assim por toda sua vida, se não fosse um tenebroso infortúnio do destino. Mas antes preciso falar sobre Abenthy. Durante umas de suas andanças na cidade onde se apresentava, Kvothe vê um senhor corpulento e de um olhar peculiar afugentar os contestável e prefeito local, isso através da mais pura magia. Abenthy coloca sua carroça junto as dos Edena Ruh e é quem incentiva o Kvothe a procurar saciar sua vontade de sempre aprender coisas novas. O que cria no jovem rapaz uma de suas maiores ambições, aprender o Nome do Vento.
Essa é uma introdução simplória, que beira a coisa nenhuma, mas que me permite não entregar as diversas reviravoltas empolgantes presentes no livro, dito isso, irei me ater a história, magnífica, criada pelo autor.
Para começar, posso dizer que O Nome do Vento não é um livro para os fracos, desculpem a sinceridade, mas muitos hão de concordar que no início se trata de uma leitura maçante, com a história a se arrastar até pontos importantes, que embora não pareçam promissores, farão todo o sentido no futuro. Mas se quiser saber se vale a pena: vale muito a pena! O universo criado por Rothfuss é incrível, a construção dos personagens, todos eles, é excelentíssima. É difícil falar disso sem entregar detalhes, mas a atenção dada a cada detalhe nos faz mergulhar cada vez mais fundo na aventura de Kvothe. A forma sutil como o autor lida com a passagem do tempo, ou quando passa de terceira para primeira pessoa, é agradável, pois não temos uma quebra de ritmo, até mesmo quando "Kote" chama atenção para o presente, em conversas interessantes com seu pupilo Bast e o Cronista, mal percebemos que estamos em outro tempo e situação.
O Nome do Vento é um daqueles livros que ou você ama, ou odeia. Rothfuss dividiu os fãs de literatura fantástica em dois, sei disso por tudo o que já li sobre o livro na web e também pela dificuldade, que durou alguns meses, que tive para passar das primeiras páginas. Porém, como já disse, vale a pena a árdua jornada dos primeiros capítulos, assim, quando chegamos na Universidade junto de um Kvothe desafortunado, vemos o surgimento de um herói que não será um Deus, mas chegará o mais próximo possível de um.

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